Neste post compartilhamos o relato da Carla Imenes, uma professora concursada no Brasil, que está fazendo o seu pós-doutorado na Austrália. Ela relata como está sendo a vida na Austrália, seus desafios e dá dicas para quem quer seguir o mesmo caminho que ela.

Assista acima ao vídeo sobre o Relato da Professora que está vivendo na Austrália. Ou se preferir, abaixo colocamos o relato na íntegra para que você possa ler tudo o que a Carla nos relata sobre a Austráia.

Uma Professora Vivendo na Austrália

Contar a própria experiência sem generalizar é sempre difícil, mas vou tentar.

Sou professora universitária e decidi fazer o pós-doc fora do Brasil e aí começou a aventura.

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A Austrália é um país reconhecido por sua qualidade de ensino e eu me identifico bastante com alguns autores daqui. Além disso, a beleza natural e o clima são maravilhosos.

Primeiro passo, escrever um projeto de pesquisa e enviar para o professor que você deseja ter como “guia ou anfitrião”. Em paralelo, pode ir pleiteando bolsas de estudo e/ou licença no trabalho.

Escrever em inglês costuma ser um desafio. Não se trata apenas de traduzir, mas de usar os termos oportunos e as nomenclaturas da área. Então, vale investir num revisor!

Passaporte e visto podem ser uma odisseia, mas existem várias instruções por aí. Vou apenas dizer que tive que pagar consulta e exames médicos porque não aceitava nenhum plano; e que para quem viaja com crianças são adicionados exames.

A espera pelo visto é chata para todo mundo, mas posso lhe dizer que esta é a parte fácil.

Viajar com passagem barata pode lhe fazer gastar mais de 50h de vôo e aprofundar os problemas com o fuso horário. Pense bem para planejar uma viagem que equilibre seus limites físicos e financeiros.

Na minha família, almoçamos 8h da manhã e acordamos de madrugada alguns dias após a chegada.

Alugar um espaço para chegar requer muita pesquisa, principalmente por questões de higiene do local. Então, optar por um short term inclui buscar referências. Se eu fiz isso? Claro que não!

Resultado: cheguei virada no fuso com marido e duas crianças num apartamento tão sujo, mas tão sujo que não dava para tomar banho nem usando chinelo.

Eu não estou falando de poeira ou louça na pia. Estou falando de sujeira mesmo!

Conseguimos sair do local e recuperar nosso depósito, porém cansada e ainda me acostumando com o inglês… você pode imaginar que não foi fácil.

Partimos para um apartamento limpo, ufa!

Começamos a procurar um lugar fixo e com tudo dando certo, levamos duas semanas. Então, nada de planejamentos com menos tempo que isso.

Dica: alugue por 6 meses, não se jogue em contratos anuais. Será mais fácil garantir a mobilidade e o retorno do depósito que você obrigatoriamente fará ao assinar o contrato.

Matricular as crianças na escola pode ser uma despesa considerável, tipo 5 mil dólares. No meu caso, consegui isenção por conta do meu tipo de visto – 408 de trabalho temporário.

Para evitar a taxa, vale dar uma olhada neste PDF.

Outra despesa a se considerar é o plano/seguro de saúde. Pode ser útil comparar os preços e as coberturas no site canstar.

Eu acabei fechando o seguro com a Australian Unity.

Usei super pouco. Achei um pouco burocrático para pegar reembolso, mas serviu ao que precisei até aqui.

Focando na adaptação das crianças, quero compartilhar algumas informações.

Meus filhos (6 e 9 anos) tiveram reações diferentes do que eu previa. Pelo que vi aqui, é imprevisível e singular. As vezes a criança é tímida no Brasil e se revela extrovertida aqui e outras vezes ocorre justamente o oposto. Então, se prepare para dialogar muito com seus filhos.

No meu caso, os primeiros meses foram complicados. Aquela “máxima” de que em 3 meses as crianças estão ok no novo idioma, não se concretizou. E de qualquer maneira, enfrentar os três meses iniciais foi de partir o coração. SIM, FOI DIFÍCIL!

Sugiro que você espere choro e reclamações, se os seus filhos ficarem bem: ÓTIMO! Vida que segue! Do contrário, a família estará preparada para lidar com a situação.

Levou uns 6 meses para as crianças se soltarem, mas ainda assim, amigos em casa são bem ocasionais.

A ideia de voltar para o Brasil rondou continuamente a minha casa, talvez porque o plano sempre tenha sido passar apenas um ano. Contudo, acho que isso só deixou eles mais à vontade para expressar o que de fato estavam sentindo: desejo de voltar!

Eu estudei inglês antes de vir, mas vou lhe dizer que o sotaque australiano e o ritmo de vida em Sydney me deram um belo susto. Levei tempo para me acostumar. Sem esta de que em alguns dias suas habilidades de pensar, ouvir e falar em inglês estarão tinindo, pode não ser bem assim. Não se cobre tanto! Inglês não é uma língua árdua, mas não a subestime. Dedique-se a estudar o idioma e um pouco da cultura australiana para minimizar os impactos.

A vida em Sydney é cara e o aluguel semanal costuma surtar a maioria das pessoas. Vi muitos jovens trabalhando em restaurantes e cafés, mas a grande maioria vai labutar como auxiliar de pedreiro na construção civil ou de faxineiro(a). Se sustentar aqui é um desafio. Não venha achando que tudo é um mar de rosas. Prepare-se para a realidade!

Conseguir um visto permanente pode ser uma peleja e some-se a isso que você precisará ficar um bom tempo com o mesmo empregador. Em alguns casos, 2 anos até poder dar entrada no visto e mais uns 2 até concluir os trâmites. Se neste período você se desligar ou for desligado da empresa, terá 30 dias para se realocar e começar a contagem do 0 ou voltar para o país de origem.

Sou professora universitária concursada, então talvez eu não seja a melhor referência para lhe animar a contar com a sorte por 4 anos, fora o tempo que você leva para conseguir uma empresa que vai lhe dar o sponsor.

A colônia de brasileiros aqui é ampla e pode-se fazer bons companheiros. Pare com esta bobagem de que não quer ficar perto de conterrâneos.

Em relação a comida pode relaxar, você encontra quase tudo no mercado (99,9%).

O inverno em Sydney tem o estilo do Rio Grande do Sul, mas os ventos e o clima seco podem gerar algumas surpresas na sua adaptação se você não investir em um bom casaco e na regra dos 2 litros de água por dia. Ah! Protetor solar é indispensável o ano TODO!

Mas e aí tá valendo a pena?

Eu digo de olhos fechados: SIM!

Sydney é uma cidade linda, segura e tem uma sociedade multicultural receptiva e rica em possibilidades de aprendizagem.

Você voltará para o Brasil?

Sim! Também de olhos fechados lhe digo: a cultura, os sentimentos de pertencimento e a identidade, assim como, as coisas que nos fazem bem podem ir muito além da ideia de “quero viver no primeiro mundo” ou de que “tendo estrutura o resto é supérfluo e a gente resolve”.

Não tem receita ou resposta única, cada um traça sua meta para viver feliz.

Venha experimentar!

Por: Carla Imenes.

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